"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como um acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,
Está no pensamento cono ideia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma."
Achei este poema escrito numa folha, no meio de meus livros antigos. Não sei o nome, e perdoem-me a ignorânica, também não sei de quem é, penso que de Camões, mas não arrisco meu próprio palpite*
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como um acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,
Está no pensamento cono ideia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma."
Achei este poema escrito numa folha, no meio de meus livros antigos. Não sei o nome, e perdoem-me a ignorânica, também não sei de quem é, penso que de Camões, mas não arrisco meu próprio palpite*

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